INTERNATIONAL BIOCENTRIC FOUNDATION
Escuela de Biodanza Sistema Rolando Toro
: Escola Gaúcha de Biodança EGB
TESIS PARA
OBTENCIÓN DE TÍTULO
“PROFESOR DE BIODANZA”
|
A
ANSIEDADE E SEUS TRANSTORNOS NA DANÇA DA VIDA
|
|
Grace Aparecida Gomes
|
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Professores
Supervisores:
Feliciano
Flores
Rudimar
Merlo
Terezinha
Flores
|
Porto Alegre, setembro de 2014.
SUMÁRIO
AGRADECIMENTOS................................................................................................................ 03
INTRODUÇÃO
....................................................................................................................... 04
1- CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROJETO DE INICIAÇÃO À BIODANÇA
.....................................
05
1.1
– Plantão Psicológico
............................................................................................... 05
1.2
– Grupos Terapêuticos............................................................................................. 06
a)
Grupo de Mútua Ajuda
............................................................................................ 07
b)
Grupo Sem Medo de Sentir Medo para Portadores de
Transtorno de Pânico ....... 08
c)
Grupo Melhor é Possível para Portadores de
Transtorno Obsessivo Compulsivo .. 08
d)
Grupo em Paz com a Balança
................................................................................... 08
e)
Grupo de Yoga
.......................................................................................................... 09
f)
Grupo de Recursos Terapêuticos
.............................................................................. 09
2
– O PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO DO GRUPO
................................................... 12
2.1
– Os
Indicativos........................................................................................................ 12
2.2
– As Reais Necessidades
......................................................................................... 13
2.3
– A Subjetividade
.................................................................................................... 13
2.4
– A Escolha do Método
........................................................................................... 13
2.5
– A Preparação
....................................................................................................... 14
2.6
– A aula Inaugural
................................................................................................... 15
2.7
– O
Encerramento da Aula
..................................................................................... 18
2.8
– As Possibilidades
.................................................................................................. 19
3
– OS PARTICIPANTES DO GRUPO
............................................................................ 20
4
– OS EFEITOS DA SESSÃO DE BIODANÇA NOS
PARTICIPANTES ...............................
24
4.1
– Os Efeitos Benéficos
............................................................................................. 24
4.2
– A vinculação e Afetividade
................................................................................... 24
4.3
– O Processo de Reaprendizagem
........................................................................... 25
4.4
– Os Desafios
........................................................................................................... 27
4.5
– As Evidências na Vida Cotidiana
........................................................................... 30
4.6
– A Metodologia Utilizada
....................................................................................... 33
5
– UMA TECITURA VIVENCIAL
.................................................................................... 35
CONSIDERAÇÕES FINAIS
..........................................................................................................
48
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................
50
ANEXOS ....................................................................................................................................
53
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao
Universo por haver conspirado em colocar uma faixa promocional no meu caminho: “Biodança: A Dança da Vida” Venha
conhecer! Especialmente ao João Dutra por haver me iniciado na poética do
encontro Humano, meu primeiro facilitador no Sistema Biodança, em abril de 2007.
Agradeço aos
meus filhos Álan e Arthur, pois no processo de formação, asseguraram minha
dança de liberdade rumo ao conhecimento e desenvolvimento pessoal, pois sempre
que voltei ao “nosso ninho” fui recebida com amorosidade e compreensão.
Agradeço a
minha querida sobrinha Bruna, que esteve presente organizando e oferecendo
suporte quando os rapazes não tinham disponibilidade. E principalmente por sua benevolência,
quando por motivos de encontros ou seminários não compareci em seus
aniversários.
Agradeço a
todos os meus familiares que foram indulgentes nas minhas ausências, encontros,
aniversários e comemorações, por conta da formação.
Agradeço aos
meus amigos e amores que foram condescendentes durante o período de viagens e
afastamentos.
Agradeço a todos os meus companheiros desta
viagem rumo ao autoconhecimento e de formação; aos facilitadores; didatas,
especificamente ao Rudimar, Terezinha e
Feliciano Flores, meus supervisores; Dorli que me religou à transcendência e muito
especialmente a Carmen que me chamou para esta linda Dança da Vida!
Agradeço de
modo especial, aos participantes do grupo de Biodança na AportaRS, que
confiaram na proposta de trabalho permitindo a elaboração de estudo do projeto
em questão.
“...Todos me
impregnaram de suas vidas águas
como se eu fosse uma
esponja.
Ficamos
inseparáveis.
Bastou para isso que
nos cruzássemos
numa nesga do espaço
E num instante do
tempo!”
(Pedro Nava)
INTRODUÇÃO
A presente
Monografia presta-se ao trabalho de conclusão do curso para facilitador de
Biodança, que foi realizado junto a Escola Gaúcha de Biodança, onde pretendo
relatar minha experiência com um grupo de Portadores de Transtornos de
Ansiedade, assim denominado por funcionar na AportaRS, Associação de Amigos
Familiares e Portadores de Transtornos de Ansiedade.
O relato apresentará uma evolução sobre o
sentido de pertencimento de seus integrantes, inicialmente como pacientes,
dentro da proposta de atendimento em psicoterapia de grupo, até a transformação
do mesmo em grupo de Biodança.
Considero
oportuna a contextualização de aspectos do adoecimento psíquico, passíveis de
acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, onde em alguns segmentos é
considerado como sintomas de psicopatologia, e para tal propõe-se tratamento
onde, não raramente, o sujeito torna-se
um paciente mediante seu processo na busca do autoconhecimento e de reposicionamento
nas relações humanas.
Pretendo discorrer,
além da experiência com os participantes do grupo, sobre a amizade, as relações
humanas e sentido para a vida levando a
uma ligação entre as linhas de vivência propostas por Rolando Toro no método
criado pelo mesmo, de Biodanza, o que nada mais
é, do que a dança da vida no contexto social, familiar e laboral em que
vivemos.
Esta
metamorfose também fez parte de minha história pessoal e profissional,
considerando que a função de psicoterapeuta de grupos não é similar a de
facilitador de Biodança. Dentro deste processo houve o entrelaçamento vivencial
da pessoa que exerce atividade como psicoterapeuta, auxiliando e orientando
pessoas, dentro da abordagem Humanista. Assim como as transformações em sua
vida, nas relações interpessoais e na sua forma de trabalho com grupos ou na psicoterapia individual.
E por fim,
considero significativa a contextualização dos rumos que o movimento Biodança
me levou a percorrer, trazendo-a ao conhecimento de pessoas de diferentes
faixas etárias, setores e meios socioculturais. Referendando a proposta de
trabalho vivencial e propondo uma melhor capacidade integradora aos envolvidos
nesse processo gradual de apropriação e potencialização de significativas
propostas, aliando música e movimento
além do processo exclusivo da fala, característico nos processos psicológicos.
1- CONTEXTUALIZAÇÃO DO
PROJETO DE INICIAÇÃO À BIODANÇA
A APORTA-RS Associação de Amigos,
Familiares e Portadores de Transtornos de Ansiedade é uma Organização Não
Governamental, fundada em dezembro de 2004, com sede em Porto Alegre, teve seu
objeto de trabalho inspirado na APORTA Associação de Portadores de Transtornos
de Ansiedade, que funciona junto ao Hospital das Clínicas em São Paulo.
Sua Missão é preservar e prevenir a Saúde Mental com a consequente melhora
na qualidade de vida dos portadores de Transtornos de Ansiedade e de seus
familiares, que também sofrem com os sintomas da doença, oferecendo atendimento
profissional, multidisciplinar, ético e humanitário. Tem como valores ética,
respeito e valorização do ser humano, solidariedade, voluntariado,
responsabilidade social e competência.
O trabalho da Associação é voltado a
pessoas que sofrem com Transtornos de Ansiedade, dentro da proposta de
atendimento gratuito por profissionais voluntários da Psicologia, Nutrição,
Psiquiatria, Terapia de Família e Yoga. Os serviços prestados são atendimentos individuais,
na modalidade de Plantão Psicológico e terapia de grupo com enfoques
psicoterapêuticos de diferentes abordagens. (Anexo I)
1.1
- Plantão Psicológico
A possibilidade de atendimentos psicológicos na modalidade de Plantão
foi influenciada pelo método empregado na Abordagem Centrada na Pessoa,
psicologia com enfoque Humanista que teve seu trabalho desenvolvido por Carl
Rogers na década de sessenta, inicialmente nos Estados Unidos. Segundo Wood
(1999),o contato com este serviço auxilia as pessoas a lidarem com as
dificuldades cotidianas da vida, não os tratando categoricamente como problemas
que necessitem um tratamento psiquiátrico.
Embasando o pensamento de Rogers (1987) que observava ao perceber a
complexidade da vida humana, que se a olharmos com serenidade, reconheceremos
que num pequeno espaço temporal, aproximadamente de uma hora, não conseguiremos
reorganizar a vida de uma pessoa. Mas neste pequeno espaço de tempo poderemos
oferecer uma ajuda preciosa, de esclarecimentos, permitindo que o atendido
exprima seus problemas e sentimentos de forma livre, deixando-o reconhecer as
questões que enfrenta.
Este tipo de escuta possibilita atendimentos a comunidades menos
favorecidas economicamente, com menor margem de informações e pequeno acesso a
serviços mais especializados em saúde mental.
Após o atendimento ou acolhimento realizado pelo psicólogo plantonista,
quando é preenchido um prontuário com as principais informações sobre o estado
de saúde e outras informações do atendido (Anexo II), é realizado
encaminhamento aos grupos ou grupo que seja mais adequado as suas necessidades.
1.2
- Grupos terapêuticos
A
psicoterapia de grupo, segundo Neto (2009) remonta desde o século passado, foi
empregada por diferentes profissionais para tratar problemas emocionais em
diversas situações sociais, culturais ou de adoecimento físico, esse autor apresenta
um breve enfoque no psicodrama de Moreno, onde com técnicas dramáticas,
representando o cotidiano, oferece suporte para surtir o efeito esperado na
interação grupal.
Os grupos terapêuticos têm sido estudados e categorizados por diversos
autores, dentre eles Bion que observa no indivíduo ou grupo a necessidade de
continente, assim como Zimerman (1997), referenda que no contingente de necessidades,
angústias, ansiedades e defesas há a representação, desde a infância desse
contingente expressado na figura materna, que acolhe, codifica e dá sentido às
experiências vividas. Ao longo da vida
esta atividade necessita de outras representações que exerçam a mesma função,
dentre elas o modelo de identificação, pois ainda segundo aquele autor, não é unicamente o
grupoterapeuta que exerce este papel, os próprios pacientes, também servem como
modelos, uns para os outros, de determinadas situações.
A
psicologia Social, considerando suas limitações em recursos financeiros, tem
utilizado a psicoterapia de grupos, numa forma de abarcar um número maior de
pessoas em sofrimento psíquico, num menor espaço de tempo. Compreende-se a
prática desta modalidade em psicologia, que se debruça sobre as interações
humanas observando que, segundo Rodrigues (2000), vivemos em constante relação
com as outras pessoas e seu objetivo principal é o indivíduo em sociedade.
Osório (1997) aponta que uma das funções
primordiais dos grupos humanos é justamente dar sustentação à fragilidade do
ser humano nas vicissitudes deste inter-relacionamento vivencial.
Considerando estes fundamentos, os Grupos
são distribuídos dentro de diferentes abordagens terapêuticas, contemplando
assim, as especificidades de cada situação encontradas na entrevista inicial,
quando o indicativo é um acompanhamento efetivo, no caso de haver a constatação
de um sofrimento psíquico que se enquadre na atividade principal da Associação.
Dentro desta perspectiva, quando é constatado o Transtorno de Ansiedade,
propriamente dito, que segundo o DSM-IV (2002) compreende o Transtorno de
Pânico, Agorafobia, Fobia Específica, Fobia Social, Transtorno Obsessivo
Compulsivo, Transtorno do Estresse Pós Traumático, Transtorno de Estresse Agudo
e Transtorno de Ansiedade Generalizada, que serão mais bem especificados a seguir,
os associados são encaminhados ao atendimento, com encontros semanais
coordenados por profissional capacitado.
O coordenador do grupo acolhe o novo participante através do
encaminhamento realizado pelo colega que o atendeu e após sua adesão ao acompanhamento,
o relaciona em lista de presenças (anexo
III) que é controlada semanalmente, além de fazer anotações no prontuário sobre
seu desenvolvimento e comparecimento ao grupo.
a)Grupos
de Mútua Ajuda
Compreende dois grupos com atendimentos semanais, um com enfoque na psicanálise,
uma técnica de atendimento grupal que tem sua finalidade voltada ao insight,
segundo Zimerman (1997), é destinada a mudanças caracterológicas, ou que pode
se limitar a benefícios terapêuticos com o esbatimento de algum sintoma,
objetivando a manutenção do equilíbrio emocional, ou ainda uma melhor adaptação
nas relações humanas, enfocadas na relação grupal.
“Por insight podemos conceituar que se
trata do ato ou o resultado de alcançar a íntima ou oculta natureza das coisas
ou de percebê-las de uma maneira intuitiva. É um termo
que começou a ser utilizado na psicanálise, por Freud desde o início do século
XX, para indicar o conhecimento, pelo paciente, de que os sintomas de sua
doença ou atitudes são situações decorrentes de processos inconscientes dos
quais não possui algum controle.” (Brenner,
1987. p125)
O
outro grupo trabalha com enfoque na Terapia Cognitivo Comportamental, que se
baseia no modelo cognitivo, explorando a hipótese de que as emoções e o
comportamento decorrente das mesmas são influenciados pela percepção dos
eventos. O que determina a maneira como nos sentimos e nos comportamos é a
forma como pensamos sobre os mesmos. No Modelo de Beck, segundo Caminha (2003),
este método de tratamento cognitivo comportamental indica que os transtornos
psicológicos decorrem do modo distorcido ou disfuncional de perceber os fatos,
e esta distorção afeta o humor e o comportamento.
Este método psicoterapêutico compreende a proposta de trabalho com
esquemas montados para auxiliar o paciente a superar suas dificuldades. Young
(2003) indica que através do acesso aos sentimentos, pensamentos e imagens por
um breve treinamento em curto prazo, aproximadamente em vinte sessões, supõem-se
que assim estarão motivados a realizar tarefas de casa e a aprender estratégias
para autocontrole. Segundo esse autor todas as cognições e todos os padrões de
comportamento podem ser modificados por análise empírica, discurso lógico,
experimentação, passos graduais e pela prática.
b)Grupo
Sem Medo de Sentir Medo para Portadores de Transtornos de Pânico
Funcionando dentro dos princípios da Terapia Cognitivo Comportamental,
este grupo acolhe e trata de pacientes que sofrem desse transtorno, caracterizado por ataques
apresentados num período distinto onde subitamente são acometidos por
apreensão, temor ou terror, podendo estar associados a sentimentos de
catástrofe iminente. O DSM-IV (2002) indica que nos ataques poderão estar
presentes sintomas tais como falta de ar, palpitações, dor ou desconforto
torácico, sensação de sufocamento, medo de enlouquecer ou perder o controle.
As pessoas que sofrem com o Transtorno de Pânico podem ainda apresentar
Agorafobia, que é a ansiedade ou esquiva a locais ou situações das quais
poderia ser difícil escapar, ou nas quais, segundo o mesmo Manual, o socorro
poderia não estar disponível. Normalmente estas manifestações acontecem em
locais fechados, ou com muitas pessoas, ou ainda numa situação de isolamento,
provocando intenso sofrimento, ao portador.
c)Grupo
Melhor é Possível para Portadores de Transtornos Obsessivo Compulsivo
O grupo também oferece tratamento com a Terapia Cognitivo
Comportamental, com enfoque na minimização dos sintomas desse Transtorno que se
trata de um problema psiquiátrico onde há a ocorrência de ideias recorrentes e
intrusivas. Rangé (2003) observa que esta situação é acompanhada por
desconforto emocional e de comportamento ritualizado incontrolável. A
psicopatologia afeta pessoas em todos os grupos étnicos, abrangendo de forma
igualitária homens e mulheres. Os sintomas do TOC (Transtorno Obsessivo
Compulsivo) iniciam normalmente durante a puberdade e adolescência, mas segundo
a mesma autora, há casos de inicio prematuro já na infância.
d)Grupo
em Paz com a Balança
Este grupo trabalha, numa abordagem psicológica e nutricional, os
aspectos que levam as pessoas a comerem demasiadamente em decorrência do quadro
de Ansiedade Generalizada. Para Zukerfeld (1997) a abordagem de pacientes com transtornos
alimentares deve ser interdisciplinar e ter finalidades de mútua ajuda e
educacionais. Considerando este pressuposto, o grupo é acompanhado por uma
nutricionista que trabalha com programa de reeducação alimentar e por uma
psicóloga que aborda os aspectos inconscientes
que levam os portadores desta sintomatologia a agirem dentro desse
padrão de comportamento.
A
Ansiedade Generalizada, segundo DSM-IV (2002), é uma preocupação excessiva que
ocorre na maioria dos dias por um período de pelo menos seis meses, sobre
diversos eventos ou atividades. Ela se manifesta acompanhada de pelo menos três
sintomas a seguir relacionados: inquietação, fadiga, dificuldade de
concentração, irritabilidade, tensão muscular e perturbação do sono. Tendo como fatores preponderantes a
alimentação e fala compulsiva, são pessoas que se preocupam exageradamente com
situações cotidianas e rotineiras, agitadas que mudam o foco da preocupação de
acordo com o curso do transtorno ou tratamento.
e)Grupo de Yoga
Os Transtornos de Ansiedade têm
importante aliado terapêutico na diminuição dos sintomas decorrentes da tensão
e rigidez muscular na yoga, que é a
prática de técnicas que potencializem a respiração e relaxamento corporal.
Algumas técnicas de respiração são utilizadas também na psicoterapia
Cognitivo Comportamental, numa forma de alertar o paciente sobre o processo que
sofre quando é acometido pelo ataque de pânico ou de ansiedade. Caminha (2003,)
orienta que o exercício de respiração é utilizado como preliminar ao treino
para relaxamento, pois além de livrá-lo dos pensamentos incapacitantes, quando preocupado
com a respiração adequada, dá-lhe um senso de controle sobre o próprio
organismo.
Na
Yoga uma das primeiras atitudes é reaprender a respirar, utilizando as narinas
quando é feito o treinamento para dominar eletivamente os músculos
respiratórios abdominais. Mestre de Rose (1995) comenta que utiliza 46
exercícios respiratórios diferentes para uma prática adequada desta filosofia
que, embora não seja terapêutica, agrega resultado terapêutico no
fortalecimento muscular beneficiando todo um contexto corporal, pois com sua
prática aliviamos a tensão emocional, nervosa e muscular decorrentes do
estresse cotidiano.
Considerando estas premissas o grupo de Yoga funciona como aliado
terapêutico aos pacientes que participem de outros grupos em psicoterapia, ou
por encaminhamento de profissionais da área psicológica ou psiquiátrica.
f)Grupo
de Recursos Terapêuticos
O
grupo assim denominado trabalha nos princípios da Abordagem Humanista priorizando
uma relação terapeuta pessoa que fortifica o indivíduo no autoconhecimento, na autoconfiança,
no despertar de sua potencialidade, levando-o consequentemente à ação. Gusmão
(1999),enfatiza que esta atitude no atendimento psicológico, criada por Rogers,
tem tido fundamental importância no processo de libertação de tornar-se humano,
pois aquele que é facilitado em suas potencialidades torna-se livre e
responsável por suas atitudes.
Inicia com um período de fala,
aproximadamente uma hora, onde os
participantes são compreendidos não como pessoas doentes e sim aceitos pelo
terapeuta “...como pessoa humana inteira,
única, subjetiva, como digno e válido
núcleo da vida humana”(Rogers, 1985, p.9)
Após o período, onde as ansiedades emergentes são compartilhadas em grupo,
é proposta uma dinâmica vivencial,quando são utilizados os princípios da
Bioenergética, criada por Reich no início do século XX, em que explorava o
método de compreensão e combate ao sofrimento humano através do rompimento ou
dissolução de suas couraças, ou seja:
”... suas resistências organizadas
numa “estrutura caracterológica” seriam a soma de reações mentais e musculares
que uma pessoa constrói para bloquear emoções e sensações, resultando na sua
maneira típica de ser” (Reich, 1975, p.339)
Para Reich que era psiquiatra e foi
dissidente de Freud, haveria num futuro próximo o reconhecimento das funções
emocionais e da energia biológica como indispensável para a compreensão das
funções físicas e fisiológicas. Esta teoria também passou a ser mais bem
desenvolvida e estudada por Lowen que, como psiquiatra, aprimorou a técnica de levar
o paciente a identificar em si as experiências, necessidades e sentimentos
reais de seu próprio corpo.
“Quanto mais vivo for o
corpo, mais vivida será sua percepção do mundo e mais ativa sua resposta a ele
(...) Para se conhecer, um indivíduo deve saber o que sente, o que expressa com
seu rosto, como se contém e como se move...”(Lowen, p.7, 1979)
Empregando as técnicas destas teorias agregadas à Gestalt terapia, que é
centrada na troca, na comunicação e no contato permite-se ao grupo a
compreensão de outra forma ao que acontece a sua volta, conforme Ginger (2007).
Com enfoque no aqui e agora e utilizando meios que combinam respiração, contato
e meditação, o grupo trabalha afetos, e modos de superar os obstáculos perante
as dificuldades apresentadas com a Ansiedade e seus transtornos, proporcionando
aos seus participantes serem agentes em suas próprias transformações.
Para esta proposta de trabalho são encaminhadas pessoas que sofrem dos
demais Transtornos de Ansiedade, além daquelas que preferem essa modalidade de
atendimento, pois a associação na ONG possibilita a participação em até dois
grupos terapêuticos.
Devido a esta prerrogativa, o público participante formava, na época, certa diversidade nas manifestações dos
Transtornos, pois a Fobia Social tem como sintomatologia o medo acentuado e
persistente de uma ou mais situações sociais ou de seu desempenho. Perante o
julgamento de pessoas estranhas, temem agir ou mostrar os sintomas de
ansiedade, que para eles representem vergonha. Picon (2003) propõe que o
tratamento seja, dentro da Terapia Cognitivo Comportamental, orientar no manejo
da ansiedade, treinamento de habilidades sociais e exposição sistemática.
Já na Fobia Específica, que se trata de um medo acentuado e persistente,
revelado pela presença ou antecipação de objeto ou situação fóbica, (andar de
avião, elevador, escuro, animais, ver sangue...) causando intenso sofrimento
psíquico. Wainer (2003) alerta que o medo, assim como a ansiedade são emoções
naturais aos seres humanos, mas que nos casos em que excedem ao racional e
começam a prejudicar a funcionalidade do indivíduo, precisam ser mais bem acompanhados
para que não venham a incapacitá-lo nas relações básicas.
Considerando ainda, as manifestações de outros Transtornos que possuem
comorbidade com a Ansiedade, eventualmente participavam do grupo pessoas com
sintomas de Depressão, que segundo o DSM-IV (2002), são denominados como
Transtorno Depressivo (TD) sem outra Especificação, que podem apresentar-se
como parte de um Transtorno de Ansiedade.
Eles podem se manifestar como TD Menor,
com episódios de pelo menos duas semanas de episódios depressivos; como TD
Breve Recorrente, caracterizados por episódios depressivos com duração de dois
dias a duas semanas, ocorrendo pelo menos uma vez por mês, durante um ano. Ou
ainda, em situações nas quais se percebe que o Transtorno Depressivo está
presente, mas é impossível determinar se é primário, devido a uma condição
médica geral ou induzido por substâncias.
Outro Transtorno que tem manifestação
semelhante aos de Ansiedade é o da Personalidade Esquizotípica, que dentre seus
critérios diagnósticos, segundo DSM-IV (2002), apresenta ansiedade social
excessiva que não diminui com a familiaridade e tende a ser associada com
temores paranóides, da mesma forma que na Fobia Social.
#Esse
é o grupo que passou pelo processo de transformação para um Grupo de Biodança.
2- O PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO DO GRUPO
2.1
– Os Indicativos
Os participantes do Grupo de Recursos
Terapêuticos vinham apresentando uma adesão à psicoterapia, por um período superior
ao que a média de pacientes em processo de acompanhamento apresentava.
Demonstravam que, dentro de suas possibilidades, pretendiam continuar
participando do grupo, pois haviam definido sua especificidade referendando os
pressupostos da Gestalterapia.
Ginger (2007), observa que os participantes
tornam-se testemunhas do trabalho individual de cada um, pois falam deles
mesmos, constituindo assim no grupo uma ressonância da problemática de todos.
Já para Góis
(2014)“O grupo não é o espelho, o grupo é o lugar onde revelamos e partilhamos
a nossa humanidade. O Grupo de Biodança é a cerimônia da vida se fazendo
singularidade”(comentário em aula de Metodologia V)
Enquanto que
para Toro (s/data), o grupo é um centro gerador de vida, sua energia converge
dentro dele, produzindo um potencial que renova a harmonia do organismo, criando
esse campo magnético onde se projetam e refletem emoções, desejos, sensações
físicas de intensidade significativa, fornecendo, desta forma, a percepção mais
essencial dos outros componentes numa maneira nova de identificação.
2.2 – As Reais Necessidades
Percebia-se que
traziam situações para serem tratadas que tinham muito mais ressonância com
Ansiedade do que com Transtornos.
A ansiedade, diferentemente dos Transtornos de Ansiedade, é o Mal do
Século denominada como Síndrome do Pensamento Acelerado, por Cury (2014) que
alerta sobre sua ocorrência em indivíduos de todas as idades, pois a sociedade
moderna, numa velocidade consumista e estressante leva-os ao descontrole no
fluxo do pensamento e atitudes perante as exigências cotidianas.
Metaforicamente, a ansiedade é indicada
como “Um tempo grávido de promessas, condenado ao aborto dos ideais” (Corso,
2014. P.27)
Investigada por May (2000), que faz um comparativo entre diferentes
teóricos da filosofia, quando reflete sobre o contexto histórico, religioso e
cultural que leva o indivíduo a sofrer com ela. Pois para esse autor quando o
indivíduo está com seus valores desunidos tende a perder-se e reprimir sua
ansiedade normal, encaminhando-se assim para um processo patológico.
Mas Rogers (1976), alerta que o humano, em sua subjetividade, não é uma
máquina, nem uma cadeia de estímulo e resposta, nem tampouco um objeto ou uma
peça de jogo, por isto para qualquer rótulo que lhe atribuam, é necessário
considerar que se trata de uma pessoa humana.
May (2000) indica o que é ansiedade normal,
comentando que ela é inerente à espécie humana, frente a situações de mudança,
desafios, no processo de desenvolvimento, pois ela compreende a desistência da
segurança imediata em favor de outros objetivos mais extensos.
Portanto o objetivo do grupo e do trabalho vem ao encontro do que foi orientado
por um filósofo existencialista do século XIX, pois a terapia deveria ter o
enfoque não de livrar o paciente da ansiedade, mas sim ajudá-lo a livrar-se da
doença para que possa enfrentá-la de forma
normal construtivamente.
“Aprender a conhecer a ansiedade é uma aventura que todo o homem tem que
enfrentar, se não quiser perder-se, seja por não tê-la conhecido ou por ter
sucumbido a ela. Portanto, aquele que aprendeu corretamente como ser ansioso
aprendeu a coisa mais importante.”(Kierkegaard in May. 2000,p.116)
2.3
– A Subjetividade
No
entanto, alguns afirmavam categoricamente que vinham porque sentiam falta
do abraço, pois o incentivo ao afeto sempre aconteceu, durante o processo
terapêutico, quando encerrávamos os encontros trocando abraços entre todos os
participantes. Para Rolando Toro (1991), a afetividade é base sólida para um
processo de aprendizagem, já para Góis (1995), as coisas só fazem sentido a partir de um
coração amante.
.
2.4
– A Escolha do Método
Além disto, a escolha do método de
Biodança trazia indicativos de que a população atendida estava necessitando
trabalhar mais intensamente seus afetos e progredir na vivência em grupo com
dinâmicas potencializadoras de seus vínculos.
Araneda (2012) contextualiza Biodanza
como uma disciplina de efeitos multifacetados; com reeducação afetiva,
reabilitação e psicoterapia baseada em vivências induzidas pela música. Para
ele, seu objetivo é aprender a dançar a vida e ter acesso ao gozo de viver.
2.5–
A Preparação
Um mês antes de passarmos para o grupo de Biodança, os participantes foram
informados da nova proposta, que não seria um grupo terapêutico, mas um grupo
de potencialização de suas capacidades. Assim como Toro (2005) enfoca que a
Biodança, ao contrário da psicologia e psiquiatria, leva seriamente em
consideração a possibilidade de curar pessoas que sofrem com a estimulação de
sua parte saudável, pois para ele se é possível fazer crescer a ”parte luminosa”* de alguém doente, sua “parte escura”*, aparente nos sintomas,
tende a reduzir. *(grifo do autor)
Neste período, considerando que a fala era uma
necessidade emergente dos participantes, treinamos técnicas de meditação
orientada quando, com enfoque no controle
do fluxo de pensamentos, eram levados a silenciar a mente para minimizar a
ansiedade. A exemplo das técnicas de gestalt-terapia, onde a filosofia Zen e o
trabalho com a conscientização do corpo, mantiveram o grupo focado no aqui-e-agora, conforme
orienta Corn (1980), para a eficácia daquele método.
A meditação era dirigida utilizando
preferencialmente a respiração
diafragmática, que produz a maior quantidade de tomada de ar para um mínimo
esforço, pois é comum pessoas que sofrem com ansiedade respirarem
inadequadamente, provocando maior rigidez muscular.
“O diafragma se contrai e desce,
empurrando as vísceras abdominais para baixo e para frente, que são acomodadas
pelo alargamento da cavidade abdominal. Esse movimento eleva ligeiramente as
costelas inferiores, expandindo assim a parte inferior do peito,produzindo a
expansão dos pulmões para baixo e para fora, quando eles têm maior liberdade de
movimento” (Lowen, 1979.p.152)
Com a técnica de respiração adequada, há
a possibilidade de ruptura das couraças, pois para Reich (1975), a couraça de
caráter e a muscular são funcionalmente idênticas; quando as atitudes da
segunda podem ser removidas, as primeiras consequentemente serão beneficiadas,
com a recíproca tornando-se verdadeira nesse processo.
Já Lowen(1979), observa que a redução na motilidade do corpo afeta seu
metabolismo, pois a motilidade tem um efeito direto sobre a respiração; quanto
mais ele se movimenta mais ele respira, e esta relação influencia o sentimento,
ou seja, quanto pior o metabolismo respiratório, menores condições de superar
dificuldades emocionais e maior rigidez muscular.
2.6
– A Aula Inaugural
Ao término daquele mês, propiciando ao grupo se acostumar com a nova
proposta, e também para que eu pudesse me sentir definitivamente preparada para
a nova função como futura facilitadora de Biodança, encaminhei um convite
aberto a todos os antigos participantes, pela rede social da ONG (Anexo IV)
convidando para aula inaugural de Biodança, em 05 de novembro de 2013.
Góis (2012) alerta que o facilitador de grupo, por conduzir processos
sociais e humanos, geralmente profundos, deverá assumir postura coerente com a
situação, pois ele não é um catalisador, considerando que também passa por
mudanças no processo de facilitação grupal.
Esse processo foi acompanhado em supervisão por Teresinha Flores, didata
da EGB que recebeu o projeto (Anexo V), assim como a programação das aulas.
Posteriormente, devido sua dificuldade de acompanhá-las presencialmente, a supervisão passou a ser feita por Rudimar
Merlo, até a conclusão do trabalho.
Na
primeira sessão vieram prestigiar a atividade, estagiários da associação,
profissionais da psicologia e nutrição, além dos participantes egressos do Grupo
de Recursos Terapêuticos.
Os participantes chegaram curiosos, esperançosos, alguns tímidos, outros
alegres, e para minha surpresa e receio apresentou-se uma nova integrante para
o grupo. Toro (2005) orienta que a Biodança torna-se eficaz dentro de um grupo
afetivamente integrado, que possibilite diversidade de comunicação e
proporcione um continente protetor a cada participante na realização das
vivências. Considerando esta premissa, a sessão foi dirigida com muito cuidado
e atenção principalmente aos novos integrantes do grupo.
Forneci-lhes um caderno em cuja capa estava a
imagem do convite, para que pudessem relatar por escrito suas vivências durante
exercícios de contato, pois conforme o orientado no polígrafo de Metodologia V,
esses relatos têm caráter privado, e se houvesse a necessidade de uma
significação do processo vivenciado, haveria essa possibilidade, caso
desejassem posteriormente conversar comigo a respeito. Na contra capa foi
colocada a letra da música “O Caderno” de Toquinho. (Anexo VI)
A primeira sessão esteve voltada à alegria de viver. Na Roda de conversa inicial foi feita uma
breve apresentação do Método Biodanza com suas possibilidades, onde a prioridade seria vivência sobre o pensamento
e palavra. Em síntese, que a proposta de Biodança não consiste apenas em dançar,
mas em ativar, com danças específicas, potenciais afetivos e de comunicação que
nos auxiliem a conectar consigo, com o outro e com o universo.
“A Biodança é um sistema de
desenvolvimento humano orientado para o estudo e o fortalecimento da expressão
das potencialidades humanas, através da música, exercícios de comunicação em
grupo e vivências integradoras.” (Góis, 1991. p.1)
O
contato corporal, foi muito pouco utilizado, considerando tratar-se de um grupo
heterogêneo, com pessoas que também não eram conhecidas dos demais. Teve uma
formação lúdica, muito leve, com uma pequena curva orgânica.
Na Metodologia II Toro orienta que
durante a parte vivencial induz-se uma
redução passageira das funções de atenção e comando para que se proceda o
estimulo adequado das funções límbico-hipotalâmicas de autorregulação orgânica.
Tal estado pode levar a um momento regressivo em que os participantes fiquem
num estado descontraído. E no término da sessão há a necessidade de elevar a
identidade, que não deve ser intensa.
Com seu significado complementado em
Metodologia III, onde observa que a curva orgânica é composta na primeira parte
da aula, que estimula o sistema simpático adrenérgico, na segunda que estimula o erotismo e a
afetividade, na terceira que estimula a regressão e na quarta parte eleva
moderadamente a consciência.
PG – Potencial Genético;
C – Consciência Intensificada da
Identidade;
R – Regressão;
I – Integração;
Linhas de Vivência(Afetividade;
Criatividade; Sexualidade; Vitalidade e Transcendência)
Fonte: Apostila Metodologia II a Sessão
de Biodança
Partindo destes pressupostos e sua
progressividade para iniciantes, foram propiciadas condições para a regulação
bioquímica com uma pequena curvatura,
numa maneira de respeitar a metodologia. Com trocas das músicas de forma
orgânica e com uso adequado de exercícios passando de um leve estado de euforia,
com ativação do sistema simpático (adrenérgica) para gradualmente ir entrando
num estado regressivo, com ativação do sistema parassimpático (colinérgico),
para finalmente haver a preparação para ativação do encerramento.
No Tomo I Toro (1991) alerta que a progressividade deve ser rigorosamente
observada, no planejamento e na
estruturação de cada sessão, a
intensidade e duração dos exercícios deve ser graduada, para que se produza um
processo de mudança evolutivo.
2.7
– O Encerramento da Aula
Ao
término da sessão a euforia era evidente, os participantes se abraçavam e
pediam mais músicas, diziam estar leves e felizes, principalmente aqueles que
já interagiam no grupo de Recursos Terapêuticos. Os estagiários e demais
profissionais também demonstraram entusiasmo e mostraram-se agradecidos por
haverem participado e conhecido tal metodologia de trabalho. Até a nova
participante, que chegou timidamente, estava demonstrando alguma euforia.
Lembravam-me o depoimento de Signor em seu livro quando relata os benefícios da
Biodança em suas emoções.
“As músicas mexiam com o coração, com
as emoções e com os sentimentos, facilitavam o olhar, as expressões do
movimento e os encontros com abraços (...) A Biodança é um convite vigoroso a
ser vital, exuberante, expressivo e criativo, afetivo, terno e amoroso,
panorâmico e transcendental.”(Signor, s/data p.89)
No entanto, Toro em Metodologia II alerta
que há um perigo na euforia dos alunos, ao término da sessão, pois este
fenômeno pode nos levar a refletir se compreenderam adequadamente a proposta de
Biodanza, pois o estado interno de regressão é suave e as pessoas que
compreendem a proposta desejam permanecer nesse estado sereno. Como se tratava
da primeira experiência, que se prestava a uma apresentação das possibilidades
do Método, precisávamos de mais sessões para ir formando uma postura condizente
com a proposta.
2.8
– As Possibilidades
No
próximo encontro havia a dúvida sobre a adesão do grupo, se retornariam e como
retornariam, pois considerando a premissa de que mediante vivências muito gratificantes
existe a possibilidade do recolhimento ao sistema limitante de adoecimento ou
de culpa perante o prazer.
Neto (2009) observa que na evolução dos grupos podem ser identificadas
reações de ambivalência com sentimento de medo ou de desconfiança entre os
participantes, reforçando o apontado no polígrafo Metodologia V que indica no
grupo o surgimento de impulsos agressivos, temor ao rechaço ou desejo de
contato. Estas possibilidades resultam em diferentes sistemas de defesa, dentre
elas evasão do mesmo.
Mas Flores (2006) pondera que no processo
grupal de Biodança a identidade se expressa em sua plenitude, perante seu
reconhecimento em presença do outro, resultando no encontro afetivo com seu
semelhante, quando há o resgate da
segurança e o prazer que nosso instinto gregário necessita.
Mediante esses pressupostos, a próxima
sessão transcorreu dentro do desejado, confiando no Método em que Flores (2006)
retifica quanto o trabalho em busca da
liberdade interna, com a prática progressiva, possibilita reforçar a identidade pessoal pela
autorregulação. Tornando-se adequado para diversas faixas etárias, condições socioeconômicas,
doentes mentais, enfermos psicossomáticos ou deficientes físicos.
3 -OS PARTICIPANTES DO GRUPO
Somos
“Somos o quadro ainda não terminado.
Somos a música que ainda não tem todos
os sons.
Somos as florestas onde ainda não
floresceram todas as sementes.
Somos o cosmos que ainda não mostrou
todos os planetas, sóis e estrelas.
Somos o silêncio que ainda faz som.
Somos a alegria que ainda não morreu de felicidade.
Somos a esperança plena de desespero.
Somos a coragem trêmula de pavor.
Somos anjos que brincam com o demônio.
Somos demônios que querem ser anjos.
Somos santos pecadores.
Somos virtudes.
Somos pó de estrelas.
Somos luz.
Somos muito mais do que somos.”
(Rolando Toro)
Inspirada nesse poema de Rolando Toro,
adotei como nome fictício aos participantes denominações de estrelas, planetas,
cometas e meteoros, assim quando me referir a eles será utilizando nomes de
corpos celestes. Nada mais inspirador do que trabalhar com seres de luz!
A participante
que estava a mais tempo em acompanhamento era Mintaka(31.03.11), uma das três
estrelas da constelação do Cinturão de Órion, encaminhada por Fobia Social,
episódios de pânico e depressão moderada, além destas queixas apontou alergias
como problema de saúde.Sua fala era baixa, tímida, e com dificuldades de
relacionamento no trabalho, assim como familiares.
Outra do mesmo
Cinturão, era Alnilam em psicoterapia desde 17.09.2012 por Ansiedade Generalizada, episódios de pânico
e em tratamento para fibromialgia. Falava rapidamente, apresentava tensão
muscular e sofrimento intenso perante dificuldades emocionais e significativa
dificuldade de contato.
A terceira, Alnitak
que sofria de Ansiedade com traços de
depressão, insônia crônica, em acompanhamento desde 09.07.2013, também com fala
exagerada, pouco contato dos sentimentos
e alguma dificuldade de relacionamento. As três foram assim denominadas pois
tinham dificuldades similares, assim como suas
configurações familiares, como as
Três Marias.
Antares teve
como motivo para adesão ao grupo, em 11.10.2012, Ansiedade Generalizada,com
ataques de pânico, além de estar em tratamento para hipertensão arterial,
gastrite, coluna, apresentava dificuldades na área profissional e uma grande
rigidez de pensamento, com baixa tolerância a frustração, pouca flexibilidade
corporal e muitas queixas sobre o ambiente profissional e social no qual estava
inserido.
A meu convite,
sua esposa Mimosa, a estrela Beta do Cruzeiro do Sul,também entrou no grupo de
Biodança,em 05.11.2013, pois desde o primeiro dia do tratamento de Antares o
acompanhava nos atendimentos, aguardando do lado de fora até sua saída, pois
ele precisava de sua companhia e apoio para continuar em psicoterapia. Apresentava
boa capacidade de vinculação, e adequada postura nas atividades do grupo. Aos poucos, na roda de intimidade verbal foi
demonstrando seu sofrimento perante as
dificuldades do marido e da mãe, pessoa idosa com algumas limitações.
Betelgeuse,
estrela alfa da Constelação de Órion, recebeu esse nome por sua força e
determinação, ingressou no grupo em 17.09.12, por Ansiedade Generalizada, com
problemas na coluna e alergias. As dificuldades dessa estrela eram o
gerenciamento familiar, onde assumiu o papel de Alfa, quando deixava de viver
sua própria vida para resolver os problemas de todos. Sua maior manifestação de
ansiedade se procedia pela fala exagerada, muitas vezes monopolizando o tempo
para conversas no grupo. Trouxe consigo sua irmã Alnilam.
Ursa Maior, é
uma constelação que agrega sete estrelas, a exemplo desta participante, que
numa idade bastante avançada gerencia a família que enfrenta dificuldades
financeiras, de organização, deficiência mental de um filho, esposo aposentado
e com limitações, além de três netos e uma filha. O motivo da procura de
atendimento foi por Ansiedade Generalizada, Fobia específica, em 06.06.12. Além
dessas dificuldades sofre da coluna e hipertensão arterial. Apresentava
pensamento acelerado, fala compulsiva e dificuldade de relacionamentos com
praticamente todos os membros da família.
Sirius, estrela
mais brilhante da constelação Canis Major, a mais nova integrante do grupo,
iniciou em 05.11.2013, encaminhada por Transtorno de Pânico e Ansiedade
Generalizada frente aos desafios para cuidar de um filho portador de
necessidades especiais e com grandes problemas financeiros para custear
locomoção e tratamento adequado ao mesmo. Em tratamento para coluna e hipertensão
arterial. Apesar das dificuldades reais enfrentadas, apresentava distorção
frente à realidade, com disponibilidade para suportar todos os desafios.
Apresentava-se timidamente, afeto modulado, e atitudes que indicavam
dificuldades de contato.
Alpha Centauri,
estrela muito afastada da terra, com pouca visibilidade, admitida no grupo por
Transtorno de pânico e Depressão, em 27.08.2013, também em tratamento para
alergias. Apresentava dificuldade de se
posicionar perante desafios, problemas com agenda de trabalho para conciliar
horários de atendimento, baixa autoestima e pouca capacidade de vinculação. Falava
muito baixo, com retraimento muscular significativo, dificuldades de interagir
com os demais participantes, e dificuldade de contato.
Estrela Polar, recebeu
esse nome porque apesar de estar sempre no céu, modifica sua localização de
acordo com a rotação da terra. Procurou atendimento em 12.09.12 por Transtorno
de Pânico e Agorafobia, em tratamento do colesterol. Aparentemente as demais
relações estavam bem orientadas, com motivação para exercer atividades
laborais, bons vínculos familiar e boa qualidade de vida. Sua ansiedade
principal era o motivo de uma viagem para visitar a filha que morava no
exterior, e seu pânico frente andar de avião a estava obrigando passar por constrangimento perante os
familiares.
As queixas e
manifestações psicossomáticas indicadas corroboram o apontado na apostila dos
Aspectos Fisiológicos de Biodança, quando indica a relação entre o Sistema
Nervoso Autônomo com o Imunológico, quando as substâncias químicas
descarregadas na corrente sanguínea afetam diretamente aquele sistema.
Os estagiários
que acompanham o grupo, realizando um rodízio entre si, foram denominados com
nomes de planetas que por estarem próximos ao sol, têm luminosidade semelhante
às estrelas. Júpiter, que aparece no
céu próximo a Lua, Vênus também conhecida por estrela Dalva, manteve o
acompanhamento por quatro encontros, e Mercúrio que juntou-se ao grupo em maio acompanhando-o desde então.
O grupo de
Biodança iniciou com os dez participantes e uma estagiária de psicologia, Júpiter, que manteve-se acompanhando-nos por
nove encontros, até o rodízio,proposto na prática do estágio.
Ross, estrela
que se movimenta muito rapidamente, entrou no grupo em 03.12.2013, para
conhecer a proposta de Biodança. Dedicada à família, esposo, pais idosos,
aposentada e em busca de atividades para manter-se ocupada, com alguns traços
depressivos.
Começaram a participar
do grupo em sua segunda fase, após as férias de verão, quatro novos integrantes.
Bendegó, assim
como meteoros que refletem um brilho chamado de estrela cadente quando entram
em contato com a atmosfera terrestre.
Procurou atendimento por ansiedade em 25.03.2014, perante o desemprego e
nova formação familiar, pois havia perdido um bebê após haver formalizado uma
relação estável. Apresentou-se flexível nas primeiras atividades com boa
vinculação afetiva no grupo.
Wolf, uma das
mais novas estrelas conhecidas, entrou no grupo em 10.06.2014, por Ansiedade
Generalizada, com problemas na coluna vertebral, gastrite, hipertensão
arterial, encaminhada por sua psiquiatra. Apresentou-se agitada, fala
exagerada, dificuldade de compreender a proposta vivencial, rigidez muscular
acentuada.
Cygni, antigo
paciente de grupos da associação desde 2010, foi encaminhado por Transtorno
Obsessivo Compulsivo e Transtorno da Personalidade Esquizotípica. Após um ano
de afastamento das atividades retornou para atendimento em 10.06.2014. Apresentou-se dentro do padrão de
comportamento para quem sofre desse transtorno, rigidez muscular, fala modulada
e muito baixa, sem contato visual, e de difícil vinculação com os demais
integrantes.
E por último, Lalande, que se inseriu no
grupo após o convite meu de conhecer a proposta, pois procurou atendimento por
ansiedade generalizada no dia em que o grupo funcionava em 10.06.2014.
Apresentou-se conectada e com adequada flexibilidade para a prática de
Biodança, embora tenha falado muito, conseguiu interagir com os demais
integrantes.
4 - OS EFEITOS DA SESSÃO DE BIODANÇA NOS
PARTICIPANTES
“Hay una zona
Del ser en que poesia
Y danza se
encuetran.
Si nuestra
vida es movimento pleno de sentido,
Es también poesia.
Hacer de
nuestra vivencia una danza es,
En realidade,
ser un poema”
(Rolando
Toro)
Na segunda sessão, durante a roda de intimidade verbal, surgiram os mais
diversos depoimentos dentro de um clima de incredulidade, expectativa e
maximização das vivências experimentadas.
4.1 - Os Efeitos Benéficos
“Senti energia, mas não é ficar acelerada o
tempo todo...” A função criadora é estimulada em situações de
expressividade, quando num clima de tensão criadora abre-se espaço para o
inusitado, Toro (1991) observa que diante da possibilidade criativa do método, são desencadeados processos revigorantes.
” Me assustei com a criança...” Na Metodologia V, Toro elenca as diferentes
funções induzidas pela música na sequência de exercícios, quando o grupo pode
assumir a função permissiva, onde os participantes permitem-se diminuir a
potencialidade dos mecanismos de defesa, quando a energia afetiva reprimida circula por seus
caminhos espontâneos.
“Soltei literalmente...”
“É
como se libertasse alguma coisa...” Ainda em Metodologia V, Toro elege o
grupo como facilitador das expressões saudáveis de cada um, como estimular o
ímpeto vital, o desejo de contato, a alegria, a criatividade.
“Senti uma paz e tranquilidade...” Tal
como as outras funções do grupo, o caráter deflagrador, pode proporcionar um
processo de crescimento, onde a
experiência vivida assume grande intensidade, com o caráter de uma
autodescoberta comovedora. (Id Ibid)
“É um caminhar diferente...” Assim como
a função integradora, quando a pessoa conquista um nível diverso, dentro de sua
espiral evolutiva., tal como a integração das pernas ao tronco nos exercícios
de caminhar. (Id Ibid)
4.2 - A Vinculação e Afetividade
Mediante a
falta de algum participante que, a partir da transformação do grupo, era
justificada por email ou por telefone, as manifestações aprofundavam os
sentimentos.
“Sinto falta das pessoas que faltam, do
abraço, do carinho...”(sic)
“Que pena que não conseguem vir toda a
semana, é tão bom estar com todo o grupo...”
Após o período de férias que interrompeu
os encontros por dois meses e meio devido ao feriado de carnaval:
“Senti muita falta, em casa fico sem fazer
nada, parece que falta algo..”
“ Fez falta a biodança...”
“Tô louca que volte a Biodança...” (sic)
Góis (1995) indica
que o papel do outro no grupo é emergir o ser de modo bruto e indiviso, fazendo
do outro e a si mesmo um processo civilizatório numa rede crescente de
interações humanas.
“Quando
eu te encontro eu tenho notícias de mim.” (Toro s/data)
4.3 - O Processo de Reaprendizagem
No
desenvolvimento do trabalho em grupo das sessões de Biodança já foi possível
observar alguns relatos de modificações perante os desafios enfrentados no
cotidiano.
“Eu sei que terei um monte de coisas para
fazer, todas muito estressantes que eu vou ter que resolver, mas acho melhor
vir e poder enfrentar melhor o que vem pela frente...”
“Tô cansada, mas quis vir ao grupo para
ficar melhor...” (sic)
Góis (1995)
alerta que não podemos encontrar a transcendência fora dos afazeres da vida
diária, e nem estes sem a transcendência, sob pena de enfraquecermos ou
destruirmos a nós mesmo.
“Tem
sido uma boa experiência, agora ao invés de me desesperar, vejo que há outras
possibilidades, acho que estou aprendendo...”
“Agora já não fico mais tão tenso mediante
as contrariedades, saio de perto, faço outra coisa, devagar vou aprendendo...”
“Eu gritava, não sabia mais falar, agora eu
entendi que não dá para modificar, quem tem que mudar somos nós...”
Falando sobre a
Identidade, Góis observa que pessoas insatisfeitas com a vida, que a levam com
gestos vazios de desamor, após a biodança transformam-se em seres humanos
vivos, potentes, capazes de criar vínculos de amor para consigo mesmo, com os
outros e com a natureza, rico de gestos espontâneos e naturais; sensíveis,
integrados, presentes ao longo das civilizações e pouco vividos com intensidade
necessária à manifestação de si mesmo no mundo. (id Ibid)
“Passei a semana cantarolando a música,
ficava alegre só de me lembrar...”
“É tão bom,de onde tu tiras estas músicas,
que fazem a gente ir longe, viajar...”
“Às vezes eu danço lá no cofre, apesar de
ser monitorado por câmeras (...) Pelo menos me sinto melhor...”
Construindo-se
na musicalidade do universo e no som próprio de sua espécie, o ser humano é
ritmo, vínculo com a pulsação da totalidade; é melodia na intimidade da relação
com o outro; é harmonia no silêncio e quietude de si mesmo. Vincula-se com a
totalidade com a espécie e consigo mesmo por meio de pautas musicais (Id Ibid)
Araneda (2012)
aponta a música como indutora de estruturas seletivas individuais;
influenciando na harmonia interior, no sentido do ritmo, na reeducação afetiva
e, sobretudo incorporando estruturas holográficas ao sistema nervoso que criam
novas respostas frente ao meio ambiente.
“Que bom que minha cirurgia não saiu ainda,
assim fico mais um tempo fazendo biodança (...) dançando com vocês!”
Góis (1995) observa que um olhar, um sorriso,
um toque, cada gesto contém toda a identidade, a pessoa inteira, numa
totalidade maior. Quando assim se sente, torna-se mais humano, pulsando em
instantes imanentes, transcendentes, indo a lugar nenhum, a não ser ao mais
íntimo do seu íntimo.
“Tenho dormido melhor agora...”
“Ela dormiu a noite toda depois da
Biodança... Não parava de comentar que todos lhe deram atenção...”
“Tenho sonhado mais...”
Toro (1991)
indica que diferentemente de outras espécies, a humana é mais tempo dependente
de proteção, alimentação, assim como a excitação e inibição. E que dentro deste
contexto, o estado geral de harmonia, evocado pela Biodança retoma a calma,
silêncio, e tranquilidade em ressonância com a antiga vida amniótica e funcional, levando
aquele estado relaxado originalmente.
“Às vezes tenho uma sensação de que sou
outra pessoa, me desconheço...”
“Sinto que saio daqui encantada pelas coisas...
parece que tudo está diferente...”
“Às vezes fico num estado de relaxamento
tal, que não tenho vontade de fazer nada,
apenas ficar, assim ...”
Araneda (2012)
identifica na Inteligência Poética, o ato de viver que se torna um êxtase
poético, nessa condição ele se manifesta numa semântica que não se adquire com
as palavras, só com a vontade de beleza, evocação em estado de graça e
sensibilidade por formas desconhecidas da realidade concreta.
Já Góis (1995) aponta a Biodança como uma
grande obra poética de um poeta que ousou revelar a vida como hierofania, ou
seja, presença do sagrado em todas as coisas do mundo.
4.4 - Os Desafios
O grande
desafio foi de modificar as técnicas de psicodinâmica de grupo, com o
conhecimento recíproco dos problemas de seus participantes para o enfoque em
Biodança, quando o grupo não trabalha com confissões de seus problemas, pois
segundo Toro (1991), pretende-se tratar da parte sã, reforçando os aspectos
saudáveis, desenvolvendo as potencialidades através das cinco linhas de
vivência.
“O estresse e ansiedade me adoecem, fiquei
com pressão alta, torcicolo, gastrite, chorava sem parar...”
“Estou muito mal (...) não sei o que houve
acho que foi acúmulo de estresse, estou com infecção urinária, com infecção
respiratória, pressão alta...”
“Ainda continuo tomando os medicamentos fico
menos ansiosa assim...”
Na Revista
Argentina de Biodanza, Ciarlo (2012) confirma que os sentimentos podem ser
eliminados da mente, mas não podem sê-lo do corpo. Pois a energia do sentimento
oculto permanece atrapalhando o estômago, o peito e o pescoço que poderá ser
minimizado com medicalização pela medicina tradicional, porém essa energia e os
compostos químicos das reações emocionais permanecem vivas e clamam por sua
liberação.
Enquanto que Lucca
(2012) observa que os grupos têm música própria, seu som grupal se desenrola
com a primazia de tons graves e
viscerais, quando alcança uma integração que o permite fluir. Estas
modificações aparecem na linha de Vitalidade, com aumento da energia vital e a
integração motora; na linha da Sexualidade, com o despertar da fonte de desejo,
na Criatividade, com a capacidade de expressar emoções através do movimento e
da voz, na Afetividade desfazendo-se das relações tóxicas formando capacidade
de encontros com outras pessoas e na linha de Transcendência, formando uma
consciência Biocêntrica contrapondo a cultura antropocêntrica em que fomos criados.
Entende-se por Biocêntrico,
conforme Toro (1991), um princípio em
que tudo que existe no universo, os elementos, astros, vegetais ou animais,
inclusive a espécie humana, são componentes de um sistema vivo maior. Portanto,
nosso movimento se organiza como expressão de vida e não como meio para
alcançar fins antropológicos, sociais ou políticos econômicos. O que importa
não é a consciência ideológica das pessoas, mas a consistência afetiva no
exercício do movimento amoroso.
Já por
Antropocêntrico, Capra (2006) aponta a ecologia rasa, centralizada no ser
humano, pois ela vê os seres humanos
como situados acima ou fora da natureza, como a fonte de todos os valores,
atribuindo apenas um valor instrumental, ou de uso, à natureza. Enquanto que a
ecologia profunda, a exemplo do Princípio Biocêntrico, não separa seres humanos – ou qualquer outra
coisa – do meio ambiente natural. Ela reconhece o valor intrínseco de todos os
seres vivos e concebe os seres humanos apenas como um fio particular na teia da
vida.
Estas
considerações foram constatadas na vigésima aula, quando os participantes do
grupo recepcionaram uma nova integrante comentando sobre os benefícios da
Biodança em suas vidas. Foram relatos tão impregnados de vitalidade,
criatividade e afetividade, que até eu mesma fiquei surpresa.
“Eu não consigo mais ficar sem a biodança...
Saio daqui leve e feliz, apesar de todas as dificuldades”
“Saio daqui sorrindo à toa! Parece tudo tão
diferente...”
“Eu já entendi os problemas estão por aí
mesmo, mas aqui acabo esquecendo tudo!”
“É muito divertido!”
Considerando os
desafios e as possibilidades na nova condição como facilitadora de Biodança,
observei o que Garcia (2012) questiona sobre os desafios aos facilitadores de
Biodanza, quando reflete se poderemos recuperar aspectos primários e
essenciais, que deveriam estar em nossa
primeira infância; se poderia o Grupo de biodança ser uma fonte de recursos
afetivos na reparação das feridas afetivas da identidade; e principalmente se, nós facilitadores, recuperamos a conexão com
o continuum da vida?
Suas
considerações indicam que se o facilitador entender a importância da afetividade
para a formação da identidade será possível. Reforça a importância do mesmo
saber que, gerando espaços de nutrição afetiva, contribuirá para modificar as
diretrizes culturais da nossa civilização e desta forma recuperar a capacidade
de aprimorar sua vida. Pois é com a afetividade no coletivo que poderemos
modificar não individualmente, mas a matriz cultural, que nos transformou em
seres carentes de afeto. E conclama os facilitadores de Biodanza a reconhecerem
este grande desafio.
As respostas
surgiram em alguns depoimentos:
“Há 15 dias sem
vir me sinto mais ansioso...”
“Me sinto leve
e encantada com a vida, com as pessoas. Às vezes rio sozinha...”
“A sensação é
de leveza com sono reparador”
E tal paradoxo
foi confirmado pelo grupo e seus integrantes na fala recente de uma
participante, que passou por sérios problemas de saúde durante o processo de
inclusão no método de Biodança, além destes problemas, durante um período de
chuvas torrenciais sua casa foi muito avariada com perda significativa de bens.
Pois diante da motivação de todos os participantes em auxiliá-la com algum
recurso ela respondeu dizendo que apesar de todas as perdas, nada era mais
significativo e gratificante a ela do que o afeto, atenção e carinho dispensado
por todos durante os encontros de biodança.
Para Góis
(1995), o método que possibilita a vivência integradora, leva ao desabrochar
progressivo de potencialidades inerentes à vida em geral e ao ser humano em
particular, desvelando níveis cada vez mais profundos da identidade humana, à
prática de Biodança leva as pessoas e religarem com sua humanidade e resgatarem
seu instinto gregário.
“Somos sementes, e como ela buscamos nutrição, vínculo e
crescimento. Ao jardineiro cabe apenas cuidar com amor, atendendo-as nos
caminhos que fazem rumo a algum lugar do infinito (...) o caminho, as próprias
sementes saberão fazer seguindo seus fios de natureza.” (Góis, 1995)
Corroborando o
apontado por Menezes (2014),na aula de Metodologia VI, sobre o desafio do
facilitador de Biodança: “ O centro da aula de Biodança não é o
facilitador, o centro é o processo do praticante e a interação.”
Mas que Góis
(1995) define como o poder da consigna:
“Que com linguagem enraizada nas emoções e nos sentimentos do facilitador surge da sensibilidade e do
vínculo com os participantes, brota da vivência do facilitador, naquele
instante, assim como o animal se fez homem mediante a comoção, a fala do
coração torna-se consigna pela interação sensível, profunda e expressiva entre
facilitador e participantes.” (Góis, 1995 P.101)
Diante destas
premissas o maior desafio, que poderia transformar-se em obstáculos ao
funcionamento do grupo dentro do sistema Biodança, foi anulado comprovando a
eficácia da metodologia, pois para seu criador o foco sempre será a parte saudável dos indivíduos,
pois é através dela que alcançamos a o equilíbrio.
“Mediante sucessivos atos de iluminação, gerados no amor é
possível elevar a qualidade de vida e conduzi-la para seu máximo esplendor e
plenitude.” (Toro, 1991)
4.5 – As Evidências na Vida Cotidiana
As situações que foram se apresentando na vida dos participantes
levam-nos a refletir sobre a modificação nos seus processos vivenciais. Na
esfera profissional, nos relacionamentos interpessoais e em suas atitudes
perante obstáculos, que antes os atemorizavam e que os levavam a intenso
sofrimento psíquico.
Mintaka apresentou-se mais falante,
comunicativa e desejosa de reiniciar suas atividades sociais, cautelosa, mas
otimista, aceitou inclusive dar depoimento a um jornal de grande circulação
sobre o Transtorno de Pânico, preservando sua identidade.
Alnilam não fala mais em suas doenças e
preocupações, apenas diz que precisa continuar vindo a Biodança por muito
tempo, pois pretende livrar-se das medicações, demonstra melhor contato com
seus sentimentos e melhora significativa na autoestima. Atualmente participa de
atividades quatro vezes por semana, e percebe o quanto isto modificou sua vida.
Alnitak tem apresentado um discurso mais
coerente, não reclama das dificuldades financeiras e tem procurado novas
possibilidades para viver dentro de seu orçamento e procurar se divertir.
Esteve recentemente presente, a meu convite, em uma aula aberta de Biodança
onde havia pelo menos cinquenta pessoas. Iniciou atividade voluntária junto a
um centro que auxilia na atenção e cuidados de crianças excepcionais.
Antares está mais calmo reclama muito
menos das situações do trabalho, e quando comenta sobre alguma situação
consegue aparentar tranquilidade e até uma nota de humor nas dificuldades. Já
consegue perceber que apesar das limitações profissionais há bons aspectos para
manter-se vinculado ao trabalho.
Mimosa tem participado de outras
atividades, está mais falante e determinada, convidou sua mãe para conhecer a
Biodança e tem procurado melhorar o relacionamento entre ambas.
Betelgeuse consegue se apresentar com
menor ansiedade, fala menos e demonstra boa flexibilidade perante os desafios
na administração familiar, mantendo-se centrada na sua busca por espaços que a
levem a uma melhor qualidade de vida.
Ursa Maior é uma guerreira que consegue
perceber o lado bom da vida a aproveitá-lo dentro de suas possibilidades, não
se mobiliza mais pelas dificuldades familiares, convidou sua irmã para se
beneficiar com a Biodança.
Sirius apresentou um processo
psicossomático após dois meses na prática de Biodança: adoeceu
significativamente, precisando se afastar por quase um mês de suas atividades, nesse
período pode reorganizar todas as atribulações cotidianas, refez algumas
possibilidades e teve tempo para refletir sobre os processos de negação acerca
da realidade vivida. Retornou restabelecida e mais equilibrada.
Como observa Cairo (1999), a doença é um
caminho para a cura. E fazer do período de convalescença uma possibilidade para
refletir sobre os processos vivenciados na trajetória de vida, pode levar a uma
resignificação dos mesmos.
Wolf e Lalande também permanecem no grupo
com boa integração e vinculação dentre os demais praticantes, como estão no
início do processo de inclusão precisam ser melhor acompanhadas para uma
possível avaliação de suas progressividades.
Cygni participa sem regularidade nas
atividades, considerando o comprometimento em decorrência de sua dificuldade
emocional. É apropriado acolhermos suas passagens, mesmo que como certos
cometas, eventualmente, mas com afetividade num ambiente cálido e acolhedor. A
demonstração de sua vinculação aconteceu no dia que trouxe consigo seu pai para
fazer biodança com ele.
Estrela Polar não participa mais do
grupo, pois conseguiu finalmente realizar a viagem que lhe trazia toda a
inquietação e ansiedade perante a possibilidade da ida de avião para outro
país. Por email comunicou o motivo do afastamento: “Oi Grace, tudo bem? Estou mandando
notícias, para informar que estou em Los Angeles, viu só, consegui, depois de
alguns problemas de saúde familiar fiz minha viagem, estou curtindo minha
filha. Mando abraços para todos do grupo, em especial aos que acompanharam o
meu problema. E um muito obrigada pelo teu trabalho. Bj”
Bendegó,também deixou de participar no
grupo, recebeu uma proposta de trabalho com horário incompatível à prática, mas
ligou justificando sua desistência e agradecendo o apoio recebido durante sua
breve passagem pela associação.
Ross e Alpha Centauri se desvincularam do
grupo, mas não comunicaram o motivo do afastamento, apesar dos emails enviados
e ligações telefônicas que não foram retornadas. Assim como meteoros, com
passagens iluminadas pela atmosfera terrestre, somos levados a acatar
suas atitudes similares a desses corpos celestes que nos levam a pensar que
seriam estrelas cadentes.
Se considerarmos a evasão no grupo de
quinze pessoas, onde duas deixam de participar por questões de logística e
outras duas por motivos ignorados, perfazendo um percentual de aproximadamente
vinte e sete por cento, num período de seis meses, podemos depreender que a
proposta é viável e que tem possibilidades de agregar cada vez mais pessoas,
considerando que três participantes trouxeram familiares para conhecerem a
atividade.
Toro (1991) discorre sobre os problemas
individuais no trabalho em grupo, dizendo que o importante é viver as coisas
mais que pensar, e que diante problemas particulares a Biodança não é
autoritária, o que seria uma contradição ao método, possibilitando assim que
participem as pessoas que assim o desejarem.
Assim como Góis
(1995) alerta que a Biodança avança no caminho de um pensamento crítico consequente
e de uma nova ciência, evitando o senso comum e o dogmatismo, presente em
sociedades que se constroem sob a égide do autoritarismo e da submissão às
autoridades e às divindades.
4.6 - A Metodologia Utilizada
As propostas vivenciais mantiveram-se
dentro da possibilidade de integração motora, propiciando uma resignificação do
caminhar sinérgico, fisiológico, com motivação afetiva e determinação.
Além dos jogos, para estimular a
vitalidade e criatividade, foram empregados exercícios com a possibilidade de
reciprocidade, para levá-los a perceberem as diferenças nos ritmos e harmonia
entre os pares.
Outra proposta vivencial bastante
utilizada foi a de reforço da identidade, com danças criativas e de
deslocamento para potencializar a flexibilidade de cada um e desenvolver a
capacidade de fluidez, assim como danças de extensão máxima e de elasticidade integrativa,
com o propósito de libertar a rigidez muscular.
Os movimentos segmentares foram empregados
como forma de desbloquear as tensões recorrentes, assim como a respiração
dançante. Nos encontros foi trabalhada a questão da rapidez e ansiedade nos
contatos, criando possibilidades para encontros mais harmônicos e de conexão
real com o outro.
As linhas de vivência da sexualidade e
transcendência foram pouco utilizadas; apenas em datas comemorativas a
transcendência foi melhor evocada. Estamos passando por um período em que está
iniciando o estímulo a uma maior aproximação com afetividade, propondo carícias
delicadas e progressivas com consequente resultado que levará a
sexualidade.
5 - UMA TECITURA VIVENCIAL
“Se o Homem é
um poema inacabado,
Cada indivíduo vai aflorando
Através de
sua existência,
O poema de sua própria identidade!”
(Rolando
Toro)
A psicologia, assim como a Biodança, traz em seus referenciais teóricos
interligações com os processos vivencias de seus profissionais. A primeira
estuda os aspectos inconscientes, quando o psicoterapeuta além de realizar uma
formação acadêmica, necessita de um acompanhamento psicoterapêutico para poder
mergulhar no inconsciente de seus pacientes.
Rogers (1985) observa que as atitudes do psicoterapeuta estão
interligadas com seus processos vivenciais, portanto, se não bem interpretados,
poderão prejudicar a relação terapêutica por conceitos ou traumas sofridos.
Esse autor postula que as atitudes e sentimentos do terapeuta são mais
importantes que a sua orientação teórica, pois seus processos e suas técnicas
são de menor importância no processo terapêutico, pressuposto básico que o levaria ao seu autoconhecimento
para poder realmente auxiliar no desenvolvimento de outras pessoas.
Em Biodança a condição para realizar a
formação, como professor dessa metodologia, é estar participando de um grupo
regular, em que pelo menos tenha realizado um mínimo de 50 horas/aula.
No módulo do curso de formação de
professores em Biodanza, Definição de Modelo Teórico, Garcia (2008) orienta que
o facilitador, assim como as pessoas em geral, está imerso em igual dinâmica
existencial. Portanto, sendo alguém que irá estimular o acesso das pessoas na
dinâmica da identidade, não deverá estar preso à identidade limitante e
predeterminada. Isto referenda
comunicado em última carta de Rolando Toro dirigida aos professores de
Biodanza.
“La formación del Professor de
Biodanza consiste esencialmente en descubrir una misión, transmitir el estado
de gracia, mostrar nuevos caminos para ejercer el amor y despertar la conciencia
iluminada (...) Se trata de um cambio de visión de nosotros mismos y del
significado de la vida.(Toro, 2010)
Baseada nessa premissa, considero significativa uma breve reflexão sobre
os caminhos por mim percorridos até a descoberta da Biodança. Por natureza, sempre fui
inquieta. Minha mãe contava que precisou ficar um mês internada para que eu
nascesse no tempo adequado. Hoje consigo refletir que poderia ser uma
manifestação de minha vitalidade, desejo de viver intensamente e aproveitar o
muito que a vida teria a me oferecer.
A linha de vivência da vitalidade é essencial para o sistema Biodanza. Toro
(2005) teoriza que em psicologia a vitalidade se expressa pela alegria de
viver, motivação para a ação e força instintiva. Para a Biodança os indicadores
de vitalidade poderiam ser resistência ao esforço, vitalidade de movimento,
potência dos instintos.
A infância foi normal para uma criança saudável, rotulada como arteira
mas concentrada na aprendizagem, desejo de aprender sempre mais, passível de
castigos e reprimendas por parte dos pais e professores, pois a inquietude
perante os desafios era instigante.
Tendo em vista a lógica do método
Biodanza poderia ser considerado como manifestação da criatividade, que se
vincula com o exploratório e impulsos de inovação, característicos dos seres
vivos. (Toro, 1991)
“A educação é a transformação que ocorre na convivência com
os outros. Quando você nasce, não está sozinho, mas com outras pessoas e elas
fazem parte de sua transformação. Nesse sentido temos que entender e valorizar
que todos somos diferentes, e viemos de diferentes educações ou convivências.
Porém, não estamos fixos ao que vivemos na infância. Ou seja, educação tem o
caráter de plasticidade, vai se moldando sempre com as experiências que cada um
vai vivendo.”
(Maturana, 2013)
Percebo
que nesse período iniciou-se o processo de transmutação das potencialidades
inatas, pois através de pessoas-critérios (pais, educadores) ocorreu o processo
de aceitação condicional que, segundo Rogers (1976), acontece numa tentativa de
receber e conservar amor, aprovação ou consideração. A criança renuncia a sua
avaliação do que lhe é agradável para a avaliação externa, do que é melhor para
ela, aprendendo com os outros valores pensados como seus, embora discorde,
levando-a uma desvalorização de suas potencialidades.
Na
Adolescência os conflitos aumentaram, pois como todo o adolescente a sede de novas descobertas e busca pelo prazer
foram acentuadas, apesar das imposições dos pais: os namorados, as festas, os
passeios, movimentos em busca de uma vida plena de alegria, com o prazer aflorando.
Toro (2005) alerta que para vivermos uma sexualidade saudável é necessário não
haver uma fixação apenas no ato sexual e na genitalidade, pois a linha de
vivência da sexualidade é muito mais abrangente, considerando que a
aprendizagem rumo aos pequenos ou grandes prazeres é composta da alegria,
sentimento, erotismo e de carícias, em eventos cotidianos.
Já
Stevens (1976) observa que na adolescência
durante o processo de auto conhecimento o jovem se vê dividido entre
seus anseios e necessidade e oposição aos valores externos que lhe são
incutidos. E que muitos desistem de lutar por seus propósitos acreditando ser
mais fácil de acompanhar a maneira de ser dos outros do que fazer oposição.
Considerando esta possibilidade voltei-me
para o trabalho, faculdade, casamento e formação de uma família, dentro dos
modelos padrões para o início dos anos 80, época em que a Biodança começava a
se consolidar como sistema no Brasil.
Góis e Cavalcante (s/data) contextualizam
que no 1º. Congresso Latino-americano de Biodança houve na cidade Fortaleza em janeiro
de 1981, após a primeira visita de Rolando Toro ao Brasil, uma grande aceitação
dessa metodologia de trabalho, vindo a se consolidar, inicialmente no Nordeste,
com uma boa expansão e potencialização de sua capacidade realizadora em várias
cidades do país. Essa proposta inovadora provocou diversas reações por sua
essência de beleza, o prazer de viver e a autenticidade em expressões como
corporeidade vivida.
Foi necessária uma experiência traumática para que minha vida tomasse
outros rumos até o caminho do autoconhecimento e ressignificação de valores
incorporados. Após ter optado por trabalhar no ramo bancário, em detrimento da
formação acadêmica em ciências Biológicas, decidi pelo rompimento do casamento
e por novas possibilidades de realização.
Para Morin (2011), as crises favorecem as
interrogações, estimulam toda decisão em busca de novas soluções, mas podem
favorecer soluções neuróticas ou patológicas, pois a cultura psíquica nos
lembra que não estamos no centro do mundo, nem
que somos juízes de todas as
coisas. Ela convida-nos a dialogar com nossas múltiplas personalidades que, por
vezes se ignoram.
Voltei a estudar, desta vez fazendo a
faculdade de psicologia, pois durante o período em que estive convalescendo por
quase um ano, em decorrência de um acidente sofrido, senti falta de apoio
psicológico para procurar um sentido na vida.
Franckl (1991) aponta que a busca de
sentido na vida de um indivíduo é uma motivação primária, esse sentido é
exclusivo e específico, pois precisa e pode ser cumprido somente por aquela
pessoa. Somente a sua própria vontade de sentido assumirá a devida importância
que satisfará sua vontade de sentido. Para esse psiquiatra, que passou um longo
período de sua vida preso num campo de concentração, o ser humano é capaz de
viver e até de morrer por seus ideais e valores.
Estava aí oficializado meu primeiro passo em busca de uma existência
integradora que também auxiliaria outras pessoas em seus processos evolutivos.
Evocava desta forma a afetividade, quando deixara de viver sem propósitos,
afastada inclusive da religiosidade.
Atualmente , quando os valores antigos estão esvaziados e as tradições
são menos viáveis, May (2000) considera que o indivíduo vivencia uma maior
dificuldade para encontrar a si mesmo. Por vezes, é necessária uma experiência
que o retire se sua zona de conforto para deparar-se com seu dilema e então
enfrentá-lo.
Já Góis (1995) entende
a identidade como um fenômeno biológico e relacional que surge das sensações
endógenas, precisa do outro e constitui-se como um paradoxo pois, na mudança, o individuo permanece o mesmo e só se faz presente na presença do outro.
Com isto, referenda o postulado por Toro
(1991), no Tomo I, quando descreve a linha de afetividade como capacidade de
perceber empaticamente o outro, capacidade de comunicação, restauração dos vínculos
com a totalidade, atributos que têm característica de potencialidade
individual, que precisam ser reforçadas ou desenvolvidas de acordo com cada
personalidade.
Mas como a vida não se apresenta com a linearidade que pretendemos, novamente
surgiram obstáculos para alcançar os objetivos traçados, e devido a um colapso
econômico no país, fui obrigada a suspender a faculdade, reorganizar minha vida,
inclusive em busca de uma nova profissão que me possibilitasse o término do
curso pretendido. Capra (2006) aponta a teoria dos sistemas dinâmicos que
explora sistemas não lineares, reconhecendo que a natureza é inflexivelmente
não linear.
Esse autor observa que na medida em que
um ser vivo interage com o meio ambiente, ele sofrerá uma sequencia de mudanças
estruturais, portanto, ao longo do tempo
formará seu próprio caminho individual de acoplamento estrutural. Este princípio
vale para qualquer ser vivo, neste caso em minha experiência de vida.
Nesta época iniciei o curso de técnica de enfermagem e precisei ressignificar
valores abrindo-me para novas experiências, expectativas e algumas frustrações
financeiras e de julgamento novamente por parte dos familiares, que hoje
percebo como limitadores do meu processo de evolução humana.
Maturana (2013),
quando discorre sobre ecologia humana, observa que autoestima é um esforço e o
respeito por si mesmo é uma harmonia interna. Quando a primeira é como uma
receita, em que é possível obter por
manuais, o respeito por si mesmo é o
momento em que se está no centro, gosta do que faz, tem desejos e sonhos para o
presente, “pois o único momento que
vivemos é o presente, o futuro ainda não existe e o passado já se foi.”
Retomando esta trajetória de vida, percebo a flexibilidade que
apresentei nas situações vividas, não sem sofrimento, mas conseguia certa
fluidez, que para alguns era considerada como leviandade. Pois, após quinze
anos trabalhando no ramo bancário, decidi por trabalhar no ramo hospitalar. Vivendo com recursos da indenização e
exercendo alguma atividade remunerada particular, fiz o curso que me capacitou a
trabalhar no Centro Obstétrico de um Hospital.
Do caos é que conseguimos energia para a transformação, pois a vida é
imprevisibilidade, onde o foco do caos são as pessoas. Rotta (2014) alerta que
o ser humano é o ser vivo mais completo, mais complexo, mais imprevisível e mais
caótico. Portanto, precisamos nos compreender como sistemas complexos e perceber
o poder desta complexidade.
Diante desta nova possibilidade
profissional, situações que fugiram ao meu controle foram se apresentando,
iniciei num novo relacionamento e, embora tivesse a convicção de que retornaria
a faculdade brevemente, acabei ficando grávida e formando um novo núcleo
familiar, agora com dois filhos e dentro dos parâmetros desejados por meus
pais.
Acomodei-me à situação, resolvi
dedicar-me ao trabalho e maternagem por algum período, pois a maternidade
sempre foi uma característica presente em mim e priorizei os cuidados básico na infância do filho mais
novo e adolescência do mais velho. Hoje percebo que fui muito feliz por alguns
anos, sem nenhuma inquietude a me atormentar.
No entanto, a vida reflete nossas
inconstâncias e dentro de suas vicissitudes, acabou por intervir no
relacionamento conjugal levando-me a pensar em liberdade e novas possibilidades
de realização pessoal. Comecei então a perceber que minhas relações afetivas
estavam limitadas, meus desejos cerceados e minhas esperanças reprimidas.
Novamente, retomei um processo doloroso
de resgate da minha identidade, ao resgate de minhas potencialidades e
autoafirmação perante todos os envolvidos. Quando reflito sobre estas situações
vivenciadas é impossível não interligar com a “roda das transformações”, pois
minha trajetória de vida, embora só tenha conhecido a Biodança aos quarenta e
oito anos de idade, em muitas situações foi encaminhada como nessa
possibilidade vivencial em que vamos saindo de algumas rodas para entrar em
outras.
Terrén ((2008) considera nossas decisões
existenciais de ordem instintiva, mas que sempre serão elencadas dentro da
premissa voltada às três perguntas: “Que
hacer? Con quién estar? E dónde estar?” Tais interrogações, quando atendem
os desejos inconscientes, nos levarão a uma vida plena que respeitará os
momentos de abertura, de fechamento pessoal, quando aceitar e quando não
aceitar, quando nutrir-se do meio que nos rodeia e quando refugiar-se na
solidão.
Nesta ocasião encerrou-se outra etapa
rumo à nova possibilidade, retomada da faculdade de psicologia, agora num
projeto de aposentadoria. Tornei-me uma pessoa respeitada, que finalmente segue
em busca de seus ideais, fortalecida por suas convicções, deixando vínculos
saudáveis pelos locais e pessoas que conviveu, assim como na Roda das
Transformações, fechando de forma amorosa cada saída.
Amizades foram sendo sustentadas nesta
trajetória de vida, experiências partilhadas, afetos guardados e ideais
respeitados. Aparentemente tudo fluía com relativa tranquilidade, até que, para
testar meus propósitos e realmente me fazer perceber a grande força de vontade
que havia dentro de mim, minha mãe adoeceu e morreu. Depois num período de
menos de um ano, sua irmã, minha tia que
era como segunda mãe, também faleceu e meu pai, no ano seguinte, sofreu um AVC,
deixando-o debilitado e passível de alguns cuidados mais delicados.
Entrei em depressão, na elaboração
daqueles lutos que pareciam não terminar nunca, perdi a alegria e impulso
vital, consegui terminar a faculdade com muito esforço. Afinal se parasse
naquele período, acho que não teria forças para retornar. E um dia, quando
conversava com amigos, vi a faixa promocional de Biodança. Como estava vivendo
uma vida sem cor e calor, decidi procurar me informar o que poderia ser e em
que poderia me beneficiar com a “dança da vida”.
Naquele abril de 2007 redescobri a menina
inquieta que havia ficado adormecida enquanto a mulher guerreira lutava por
objetivos, por sobrevivência, doava-se e se confundia em propósitos e amores.
Ali iniciei novas amizades com pessoas
que partilhavam história de vida similar à minha: ninho vazio, sede de
partilhar afetos, desejo de pertencer a um grupo que trouxesse ressonância ao meu
período de vida.
Araneda (2012), em seu último livro
publicado sobre Inteligência Afetiva, comenta que ela é promotora de
significado existencial, novas constelações instintivas e vivenciais tornam-se
potencializadoras no despertar da coragem, do prazer e motivações para
viver.
As músicas
traziam paz interior, e me remetiam a trilha musical de minha vida, muitas
delas reconhecidas e resignificadas, agora em ambiente facilitador. As
vivências calavam fundo em minha alma desejosa por partilhar afeto, amorosidade
e a vitalidade necessária para continuar vivendo com intensidade e sentido.
“A vivência por ser
comoção e, ao mesmo tempo expressão singular do mundo, é movimento sensível, é
movimento do ser que em sua concretude, é corpo e gesto, é encontro, é dança, é
animal tornado espírito enraizado.” (Góis, 1995. P.62)
No trabalho como psicóloga havia um
comprometimento com o social, a aprendizagem e comunidades socialmente desfavorecidas. Na
psicologia comunitária descobri Cézar Wagner Góis como articulador do método de
Educação Biocêntrica no nordeste, com Rute Cavalcante, teóricos que havia
estudado na faculdade.
Dediquei-me a participar de encontros de
Ação Social, de Biodança, de Educação Biocêntrica no Brasil e nos encontros
latino americanos. Tornei-me uma biodanceira totalmente apaixonada pela
proposta. Mas relutava em fazer Escola para ser facilitadora, pois acreditava que aquele era
meu refúgio, onde poderia aplacar as dores do contato direto com o sofrimento
humano que encontrava na prática da profissão, em consultório e na comunidade.
Foucault (2014)
diz que quem cuida de si eticamente, está cuidando do outro, pois cuidar de si
mesmo não pode ser desarticulado de cuidar do outro; cuidar de si mesmo para
ser melhor é garantir condições para que
o outro possa ser melhor. “Só posso ser
livre se eu cuido de mim mesmo!”
A aprendizagem que acumulei ao trabalhar
com pessoas foi indelével, seja no setor financeiro, na iniciativa privada, no
ramo hospitalar, nos recursos humanos, na escola, como nos asilos de idosos,
mas os recursos pretendidos com a prática da psicologia Humanista, por vezes me
deixavam desejosa de mais possibilidades, de também levar alegria e afetividade
àquelas pessoas que só dispunham da fala e de minha compreensão empática para
minimizarem seus conflitos.
Araneda (2012) indica que a afetividade
se refere especificamente ao que se ama aquilo que se manifesta subjetivamente
como ternura, amizade, altruímos, amor universal, afinidade pela vida. E sua
expansão é a liberação do afeto, num estado de amor infinito pela vida, pela
natureza e pelas pessoas.
Curso para capacitação em zeladoria e
portarias no SINDEF
Palestra no Lar da Amizade sobre
Envelhecimento
Dinâmica de Grupos na Fundação Taurus
sobre Relações Humanas
Mas, inspirada
na mensagem de Toro, a decisão que tomei foi baseada dentro de princípios éticos,
humanitários e de uma possibilidade de conscientização político social.
“Agora sabemos que não é possível nenhuma transformação
social se não se mudam profundamente os sentimentos, quer dizer, os modos de
vinculação com as pessoas e com o meio cósmico. A Educação atual não promove
contatos, os atuais sistemas educacionais criam homens para o fracasso de todas
as suas potencialidades.” (Rolando Toro, 1982) Mensagem aos alunos
na 1ªEscola Nordestina.
Atividade de conscientização ao voluntariado na Parceiros
Voluntários
Trabalho
em Psicologia Escolar e Comunitária no IAPI
Diante destas demandas, depois de frequentar
por quatro anos um grupo regular como participante de Biodança, decidi por uma
maior transformação vivencial quando optei por realizar a Escola de Formação para
Docente em Biodança. Diante desta nova proposta de trabalho, consegui agregar
amigos, profissionais da saúde mental, estudantes de psicologia numa caminhada
rumo ao desejo de seu idealizador: levar a Biodança para o maior número de pessoas.
Araneda (2012) aponta, atitudes similares, como dinâmica da
bondade: na capacidade de transcender o ego, capacidade de identificação,
comunicação, compaixão e empatia, revelando uma estrutura afetiva sã e consciência ética.
Grupo de Estagiários de Psicologia na
AportaRS e no Lar da Amizade
Hoje, em conjunto com um colega
facilitador, oferecemos sessões de Biodança num Lar para idosos, e levamos
ocasionalmente para outras instituições que também trabalham com esse publico.
Partilhei vivências em grupos de voluntários, num serviço de atendimento a
crianças e adolescentes e tenho supervisionado estágios de Psicologia Comunitária,
junto a Faculdades de Psicologia, onde a prática da Biodança é partilhada nas
vivências com a comunidade.
Atividade em comemoração ao mês do idoso
no Amparo Santa Cruz/ Lar São Francisco
Grupo de Biodança para idosos e
deficientes visuais no Lar da Amizade
O que mais posso falar sobre esta
tecitura? Que a Escola de Formação me abriu possibilidades vivenciais e de autorrealização
inesgotáveis. Que o fato de levar às pessoas afetividade, criatividade,
vitalidade, sexualidade e transcendência é algo místico e indescritível, pois a
rede de afetos que criamos e participamos nos torna dia após dia mais fortes e
vigorosos, numa possibilidade infinita de oportunidades.
“Quando
aprendemos a viver
intensamente o presente, começamos a compreender a coerência do nosso passado e o significado transcendente de cada fato que se sucedeu em nossa vida. A partir
disso, percebemo-nos capazes de superar
o medo do
futuro, adotando uma postura proativa diante de nossos projetos. Assim resgatamos a confiança em nós mesmos e em nossa capacidade de realizadores” (Toro, 1991) .
Escola Gaúcha de Biodança Em Santa Maria
Grupo de Formação da Escola Gaúcha de Biodança
– EGB
Associação Gaúcha de Biodança – Formando redes
participativas (Agosto/2014)
Assim
como as estrelas no Universo, podemos promover ações de diferentes magnitudes
em populações que estão carentes de atenção e cuidado, empregando os Sete
Poderes da Biodanza, montando estratégias de reabilitação existencial
relacionadas num conjunto coerente e científico, denominados por Toro: “La Música; La Danza Integradora; La
Metodologia Vivencial; La carícia; La Regresión y El Trance; La Expansión de
Conciencia e El Grupo” (Toro e Terrén ,2008).
“O mundo não
me pertence, mas posso colocar coisas minhas nele.” (Góis, 2014)
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Ao término desse estudo me percebo refletindo sobre aspectos
significativos nas relações humanas, dificuldades perante obstáculos, histórias
heróicas de superação, afetividade, companheirismo, com a música, dança e arte numa forma de recompensa.
Pensando no Princípio Biocêntrico,
observo que as vicissitudes apresentadas pela vida são inerentes ao
desenvolvimento humano. Todos os seres
vivos enfrentam dificuldades e são capazes de superá-las dentro de seu habitat
natural ou perecer, de acordo com as condições e suas possibilidades.
Apenas o ser humano, com sua capacidade
limitada de entrar em contato com seu instinto natural distorcido pela própria
humanidade, adoece psiquicamente e fica incapacitado por desafios intrínsecos à sobrevivência dentre
seus próprios semelhantes.
O método Biodança propõem possibilidades
de resgatar o inerente ao indivíduo perante adversidades, levando-o a sublimar
muito mais que seu processo existencial, mas a retomar a origem da espécie
humana, com sua capacidade gregária e de conexão com o primordial, sublime e
transcendente.
As doenças emocionais tornaram as pessoas
dependentes de medicamentos e atreladas a diagnósticos. A fragilidade humana
surge mediante a falta de amorosidade, de olhares afetivos, de cuidado, de
atenção.
O lado bonito da vida acaba não sendo
percebido numa sociedade consumista e detentora de valores que categorizam as
pessoas por algum status que, em busca de objetivos, por vezes em detrimento de
melhor qualidade de vida, as leva a não perceberem o mal que lhes está sendo causado.
É necessário abrirmos mais espaços de
afetividade, sem preconceitos, sem julgamentos, apenas de convivência harmônica
entres as pessoas e os seres vivos que as cercam, resgatando o respeito e a tolerância
entre as espécies e a natureza. A
possibilidade de formação de mais facilitadores de biodança poderá abarcar esta
lacuna que foi sendo preenchida pelo vazio existencial, adoecimento, medicalização e inconstância.
Nesse caso, considero oportuno
contextualizar a diversidade de perspectivas no resgate do prazer de viver,
tanto para aqueles que praticam a Biodança, como para os que a facilitam, pois
o ato de servir de apoio no processo de crescimento pessoal de outrem,
dignifica e enobrece, trazendo sentido à vida e desejo de variadas realizações.
Nas vivências
propostas ao grupo que foi objeto de estudo, ficou claro para mim as
manifestações de afetividade, de vinculação saudável entre os participantes, de
conscientização do sagrado, inclusive no
resgate de importantes sequelas experienciadas pelos mesmos, que chegaram para
tratamento em significativo sofrimento psíquico. Considerando os níveis de
satisfação e contentamento do grupo, agora fica o questionamento de como
poderemos levar mais subsídios às pessoas desassistidas economicamente,
segregadas e em situação de vulnerabilidade social.
Este desejo referenda Morin (2011), em seu
livro sobre a Ética, quando observa que
o olhar sobre ela deve levar em
consideração que a sua exigência é vivida subjetivamente, mas que também
deve-se perceber que o ato moral é um ato individual de religação com o outro,
com uma comunidade, com a sociedade e com a espécie humana.
Estas possibilidades necessitam de
articulações mais bem planejadas e criação de redes onde possamos de fato levar
o método Biodança, a exemplo de outros países, às mais diversas áreas
populacionais, dentro de um processo de Ação Social e resgate do sagrado nas
diversas esferas sociais, educacionais, hospitalares e, quem sabe, até nas penitenciárias.
Retomando Capra (2006), na “Teia da Vida”,
quando considera todos os seres vivos como membros de comunidades ecológicas
ligadas umas às outras numa rede de interdependências, esta percepção ecológica
profunda torna-se parte de nossa consciência cotidiana e emerge um sistema de
ética radicalmente novo.
Ao colocar estas considerações percebo o
quanto ficamos motivados e visionários quando influenciados pelos benefícios
propostos pelo método. E me assola uma necessidade de colocar muito mais ideias
e considerações, com o risco de transformar estas considerações, não em finais,
mas em perspectiva das maravilhas que poderemos oferecer a população tão
carente de afeto e atenção.
“Llegamos demasiado tarde para lós
dioses y demasiado temprano para el ser. El hombre es un poema inacabado”
(Heidgger in Araneda, 2012.p51)
Se nos propusermos a esta postura ética
frente ao universo, poderemos também propagar o amor e aceitação incondicional
dos seres, numa onda que, de certa forma, pode levar ao “Efeito Borboleta”
apontado por Capra (2006), quando mudanças diminutas no estado inicial de um sistema
levarão, ao longo do tempo, a consequências
em grande escala.
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www.aportars.org.br,
junho de 2014.
Boa Noite Sra. Grace!
ResponderExcluirLi o seu post e fiquei muito interessada no que aqui encontrei. Estou a fazer um trabalho académico no contexto da especialização em enfermagem de saúde mental sobre a ansiedade e transtorno de pânico. Será que poderia ter acesso ao documento em Pdf? (tentei encontrar no google académico mas não pareceu). meu e-mail é: anaf.svs29@gmail.com.
obrigada desde já.