segunda-feira, 4 de julho de 2016

A Biodança nas Práticas Integrativas Complementares




        Em 2006, o Ministério da Saúde define técnicas complementares como suporte no atendimento em saúde básica, comunidades e postos de saúde,  com o documento técnico da política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS. Posteriormente a Biodança foi incorporada nesta sistematica de atendimento aliando movimento e música ao processo de interação dos serviços prestados.

      O Sistema Biodança é aberto a comunidades, e implica em formas de ligação com o mundo externo que se caracteriza pela tolerância frente à diversidade, incluindo a humanidade como tal, sem discriminação de raça, sexo, idade, estado de saúde, cultura ou disponibilidade de recursos.

      Rolando Toro (1924-2010) chileno, psicólogo, antropólogo, poeta, docente do centro de Antropologia Médica da Escola de Medicina da Universidade do Chile, catedrático de Psicologia da Arte e da Expressão, no Instituto de Estética da Pontifícia Universidade Católica do Chile, professor emérito da Universidade Aberta Interamericana de Buenos Aires, a partir de suas experiências com manifestações de êxtase, erotismo, fraternidade, energia criadora e ímpeto vital, identificou na música a linguagem universal com a dança numa forma ideal,  para integrar corpo e alma.



        Biodança  é um sistema de integração humana, de renovação orgânica, de reeducação afetiva e de reaprendizagem das funções originais da vida. “Sua metodologia consiste em induzir vivências integradoras por meio de música, do canto, do movimento e de situações de encontro em grupo.” (Toro, 2005) A vivência é definida por seu criador como a experiência vivida com grande intensidade por um indivíduo no momento presente, que envolve a cinestesia, as funções emocionais e viscerais.

       Complementado por Góis, que afirma:   “Biodança é um sistema de desenvolvimento humano baseado no potencial de vida inerente a todos. Pode ser considerada uma Poética do Encontro ou uma nova sensibilidade frente à vida. É um método de facilitação da expressão do potencial humano, através da música, exercícios de comunicação em grupo e vivências integradoras.”

       Trabalhando dentro de um referencial com 5 linhas de vivência: Vitalidade: saúde, ímpeto vital, alegria de viver; Sexualidade:  prazer sexual, reprodução, vínculo; Criatividade: inovação, construção, imaginação; Afetividade: amor, amizade, altruísmo, empatia; Transcendência: ligação com a natureza, sentimento de pertencer ao universo.

       O catalisador para as vivências é a música, que  é uma linguagem universal e na Biodança, valendo-se de metodologia não verbal, estimula o Hemisfério Cerebral direito, com função integradora estimulando a sensibilidade tátil e a percepção musical, como compensação do desequilíbrio provocado pela cultura que privilegia as funções cognitivas, racionais e analíticas.

       Baseado nestas premissas Rolando Toro, inspirado nas  Danças Terapêuticas, em pesquisas anteriores, seja com doentes mentais ou pessoas sãs, criou um modelo teórico que tornou possível operar dentro de uma vasta gama de respostas orgânicas e de novos comportamentos, originando algumas danças e exercícios a partir dos gestos naturais do ser humano, com finalidades precisas, para estimular a vitalidade, a criatividade, o erotismo, a comunicação afetiva com outras pessoas e o sentimento de pertença ao Universo.

       Em seus estudos, constatou que durante as danças apareciam modelos universais de expressão relacionados às diversas emoções, criando assim estrutura para um trabalho onde a música, movimento, situações de contato  e continente afetivo formavam uma perfeita unidade.  Iniciando seu trabalho no final da década de 60, no Chile, seu país de origem. A Biodança foi adotada no Brasil no início da década de 80, primeiramente no Nordeste.

       Atualmente, temos relatos de estudos e práticas de Biodança, nas mais diversificadas áreas da saúde, educação, lazer, para idosos, crianças, adolescentes, gestantes, deficientes físicos, e para pessoas em sofrimento psíquico, assim como na dependência química,  abarcando uma melhora considerável, como biodança clínica, tanto para pessoas que sofrem com depressão, como as que sofrem por ansiedade.



       Biodança não é praticável individualmente, ela é eficaz dentro de um grupo afetivamente integrado, que oferece possibilidade de comunicação e que proporciona “continente protetor” a cada participante durante a realização das vivências.

Grace Gomes 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Rubisco (Teresinha Flores)


Ao folhear antigos cadernos de Biodança, encontro este belo poema de Teresinha Flores, escrito em 1993...


R U B I S C O

Dedico a Você - Inefável - a quem NESTE momento chamo RUBISCO
... porque não tens nome
e os tens todos os que existem
... porque não tens formas
e as tens nas suas diferentes manifestações
infinitas, contorcidas,
divinas e sagradas formas em MOVIMENTO
... porque não tens cor
e as tens todas que de tanto dançarem
viram LUZ
... porque não tens som
e contudo a música sai da tua boca Universal
como o pulsar de um cordão umbelical
na misteriosa pulsação da VIDA!
Dedico a Você - o inominável
invisível
insondável SER
este momento de conexão dos meus dedos
com a cor
as formas
os movimentos,
a dança que vem de minhas vísceras
passando por meu coração
e te abraçando neste ENCONTRO EU : TU
Não sei quem és
não sei teu nome
não te enxergo com meus olhos
já - ainda sem inocência
mas te SINTO aí
dentro de mim
como a um bebê
E TE AMO !

Terezinha M.V. Flores
30/05/93


Uma magnífica manifestação poética da música dançando em nosso ser!